

"José Reis não foi apenas um divulgador de ciência, um bacteriologista, ele foi um estrategista. Papai enxergou coisas que só mais tarde, como engenheiro e empresário, eu entendi, que é o conceito ISO9000. Ele não sabia o que era ISO9000, mas o que ele fazia era essencialmente um conceito de ISO9000, de padrão de qualidade nas doenças das aves, na construção de toda a estrutura do Instituto Biológico, de apoio à produção de aves e ovos, que hoje alicerça o Brasil como maior exportador de aves do mundo. Essas coisas têm história, não nascem assim. Isso depende de gente, de escola, de instituição e de governo."
Marcos Swensson Reis, filho de José Reis
"Quando criança, tivemos um relacionamento um tanto distante, pois papai era um ícone, estava num pedestal, era um sujeito envolvido com questões que só mais tarde fui entender: ele tinha quarenta e poucos anos, dirigia o Departamento de Serviço Público de São Paulo, com todas as implicações políticas (…). A gente não tem ainda estrutura emocional para essas coisas. Hoje, eu entendo perfeitamente que ele se dedicava a tantas coisas ao mesmo tempo… Mas, do ponto de vista humano, era um pai fantástico, nos ensinava todos os dias. As nossas refeições em casa eram aulas de latim, ele fazia sabatina de latim, de francês, de matemática, de física, de história. Nossas refeições eram eruditas, um aprendizado permanente, por ele ser muito estudioso, todo dia ele aprendia coisas e todos os dias nos perguntava coisas do tipo, você sabe o que é ecologia? A primeira vez que ouvi falar de ecologia, há meio século, foi por ele. Ninguém sabia o que era ecologia."
Marcos Swensson Reis, filho de José Reis
"José Reis soube misturar sua visão de divulgador, professor e político, na medida em que soube lutar por pontos importantes dentro da história política e da história do desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil."
Sérgio Ferreira, amigo de José Reis e um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
"O professor José Reis indica-nos que todos devemos estar vigilantes em torno de duas questões. Primeiro, para que a Ciência encontre crescente apoio e compreensão dos governantes e do povo, no qual aqueles se apoiam e do qual formalmente nascem. Segundo, para que o cientista não fuja à responsabilidade fundamental que aceitou ao abraçar sua carreira num mundo cuja felicidade tanto depende dele."
Crodowaldo Pavan e Marco António Coelho
"O professor José Reis é, antes de tudo, um Semeador, no mais belo sentido evangélico."
Nair Lemos Gonçalves, secretária e amiga de José Reis
"José Reis sempre encarou como uma missão a tarefa de divulgar ciência. Reconhecia a necessidade do engajamento dos cientistas no processo de democratização do conhecimento e assumia este engajamento com lucidez e dedicação. (…) Remando contra a corrente, mas a favor da sociedade, a missão de divulgador sempre acompanhou José Reis. Como ele confessava, sentia grande prazer em repetir aos outros o que aprendia: assim, alfabetizou as empregadas domésticas que trabalhavam em sua casa e, no colégio, produzia cadernos extras, além daqueles que traziam os apontamentos das aulas dos professores, incorporando leituras complementares e reflexões, que fazia circular pelos colegas interessados."
Wilson da Costa Bueno, ex-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico
"Embora desde o século XIX já se encontrem, no Brasil, exemplos de publicações e escritores especializados em divulgação científica, José Reis é considerado um pioneiro. Além de ‘fazer’ divulgação, ele estabeleceu, em dezenas de artigos, palestras, conferências e entrevistas, praticamente toda a teoria utilizada pelos que se dedicam a esta atividade."
Roberto Pereira Medeiros, jornalista do CNPq
"Poucos conhecem o José Reis cientista, cuja trajetória profissional se liga à história do Instituto Biológico. (…) Os estudos de ornitopatologia infulenciaram a melhoria do ensino, contribuíram para elevar o conhecimento do avicultor sobre as moléstias das aves e sua profilaxia e propiciaram a produção de vacinas e soros. (…) José Reis permitiu que a criação de aves se transformasse numa atividade organizável em grande escala."
Maria Alice Rosa Ribeiro, professora do Departamento de Economia da Universidade Estadual Paulista